Notícias da Enfermagem

Enfermeira abre consultório e dá palestras internacionais em estomaterapia

Juliana em uma de suas viagens internacionais para compartilhar conhecimentos na área da estomaterapia (Crédito: Arquivo pessoal)
O espírito empreendedor, segundo ela, foi adquirido durante sua passagem pelo Hospital Sírio-Libanês
Por Aline Granja e Fábio Guedes

O gosto por desafios e a vontade de crescer profissionalmente sempre fizeram parte do perfil da enfermeira Juliana Lucinda. Depois de acumular experiência na área de estomaterapia (tratamento de feridas) atuando em hospitais, ela criou em 2014 o seu próprio consultório, o Prime Care, onde lidera uma equipe multidisciplinar focada em cuidar de pacientes em domicílio.

Antes de iniciar a vida empresarial, atuou por cinco anos no Hospital Sírio-Libanês, onde afirma ter adquirido uma visão empreendedora da enfermagem, desenvolvendo um trabalho focado em qualidade no atendimento. “Trabalhávamos no padrão ouro de atendimento. Sempre pensei que seria útil levar esse aprendizado para outros profissionais da área”, comenta.

Foi em busca de uma atuação mais independente que Juliana saiu do hospital e passou a fazer atendimentos domiciliares. “Trouxe para a minha empresa profissionais que têm o mesmo olhar de qualidade com o paciente que eu sempre busquei oferecer. Hoje, tenho uma equipe multidisciplinar – composta por enfermeiro, psicólogo, fisioterapeuta e dentista – que desenvolve um trabalho diferenciado para pacientes acamados”.

Após atuar em hospitais, Juliana conseguiu abrir seu próprio consultório na região do ABC Paulista (Crédito: Arquivo pessoal)

Juliana explica que, na Prime Care, localizada em Santo André (SP), o atendimento é feito com uma visão holística. “Logo de início, o profissional faz um checklist para identificar o que é necessário para reinserir o paciente na sociedade. Às vezes, o atendimento com a estomaterapia é só no começo. Pode existir um quadro de depressão, então damos sequência com o psicólogo. Em outros casos, há necessidade de fisioterapia ou orientação nutricional, por exemplo.”

“Até um tempo atrás, o enfermeiro ficava anos como CLT em um hospital e tinha o emprego garantido. Hoje, muitos estão insatisfeitos trabalhando em hospitais. O profissional precisa buscar o que lhe traz motivação”

Palestrante internacional

Também em 2014, a convite de um paciente, surgiu a oportunidade de ir para Luanda, na África, onde teve apenas cinco dias para treinar uma equipe de médicos e enfermeiros na base militar do país. “Essa experiência me abriu para uma nova visão. Decidi me candidatar para ser palestrante do Congresso Mundial de Lesões, na Europa, para o qual fui selecionada”, conta Juliana.

A partir de então, a enfermeira passou a ser chamada para ministrar palestras em faculdades e para prestar assessoria técnica e consultoria para empresas de curativos. “No ano passado, fiz uma palestra na Europa sobre pré-diabetes e aqui no Brasil palestrei em 12 simpósios. Minha intenção é não só cuidar dos pacientes, mas treinar melhor o profissional que tem dúvidas ou fica inseguro ao atender”.

Empreendedorismo na enfermagem

De acordo com Juliana, a estomaterapia é uma especialização relativamente nova no Brasil e a maioria dos profissionais dessa área trabalha em hospitais. Ela é uma das poucas a empreenderem nesse ramo e defende que o aumento da autonomia traz vantagens ao profissional de enfermagem.

“As pessoas acham que enfermeiro só pode atuar em hospital, mas ele pode fazer outras coisas. Ser uma multiplicadora de conhecimento, por exemplo, fortalece a profissão. Até um tempo atrás, o enfermeiro ficava anos como CLT em um hospital e tinha o emprego garantido. Hoje, muitos estão insatisfeitos trabalhando em hospitais. O profissional precisa buscar o que lhe traz motivação, pois só assim é possível atender com qualidade”, conclui Juliana, que pretende continuar desenvolvendo palestras com enfoque educativo.

Comente
/* ]]> */